Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Abril 06 2010

Mote do poema “De Tarde”

De Cesário Verde

(Temático)

 

 É no campo que se colhem tais belezas

Que os olhos enchem de alegria;

Corpos sãos nos encantos d’um só dia

Naquele pic-nic de burguesas.

 

É a Primavera que em suas naturezas

Faz de cada árvore frondosa, verdejante

E tudo isso se viu de esfuziante

Naquele pic-nic de burguesas.

 

Tudo brilhou nas cores das framboesas

Nos malmequeres de amarelo pincelados

Ou nos palmeirais de verdes matizados

Naquele pic-nic de burguesas.

 

As relvas fofas, em suas levezas

Tapete imenso, de perfumes desmedidos

Enquanto a merenda nos desperta os sentidos

Naquele pic-nic de burguesas.

 

13. Março. 2010

 

Mário Matta e Silva

Postado por Liliana Josué

 

publicado por cantaresdoespirito às 22:50

Abril 06 2010

Primavera, Primavera,

É perene o teu chegar.

Tens o mundo à espera

De novo p’ra te saudar,

 

Tu que sais da invernia

Para poderes desabrochar,

Dá ao mundo a alegria

Que só tu a sabes dar.

 

Do arco-íris tens as cores

Onde o sol serve de manto,

Da beleza das flores

Tem meus olhos o encanto.

 

Primavera, Primavera,

É mais forte o teu odor!

Nas ruas da minha terra,

Pelas festas de flor!

 

21/3/2010

 

Francisco Vilar Rodrigues

Postado por Liliana Josué

 

 

publicado por cantaresdoespirito às 22:38

Abril 06 2010

(Glosa com mote da primeira

quadra do soneto “Hino à Razão”

de Antero de Quental)

        (Temático)

 

Tudo anda triste de tanta cobiça

Tudo sofre a avidez da vil ganância

Tudo se movimenta com exuberância

Razão, irmã do Amor e da Justiça.

 

Tudo anda agitado e se enfurece

Tudo se corrompe na vaidade

Tudo, ó destempero da sociedade

Mais uma vez escuta a minha prece.

 

Tudo de vilões se empobrece

Tudo se faz no mal que nos enreda

Tudo é infelicidade, essa labareda

É a voz dum coração que te apetece.

 

Tudo se evapora e se espreguiça

Tudo em vós é fonte de incerteza

Tudo vem a nós da natureza

Duma alma livre, só a ti submissa.

 

 13 de Fevereiro de 2010

 

 Mário Matta e Silva

Postado por Liliana Josué

 

 

publicado por cantaresdoespirito às 22:23

Abril 06 2010

Se a noite não viesse?

Não te beijava o pescoço

Ou acariciava o torço

Alongado nesse querer

De um morno enternecer.

 

Se a noite não viesse?

Tua sombra não me guiaria

Em tumultuada euforia

E brusco desentender

Do porquê deste sofrer.

 

Se a noite não viesse?

A tarde sem crepuscular

Deixaria de nos beijar

E não mais se extinguiria

Para adoçar a fantasia.

 

Se a noite não viesse?

Que sonhos me excitariam

E que desejos criariam

Nos meus dedos viajando

Na tua pele, feliz, suando.

 

Se a noite não viesse?

Como ao longe te sentiria

No resplandecer de cada dia

Nesse sufoco de entender

Quanto é triste afinal não te ter.

 

 2007

 

Mário Matta e Silva

Postado por Liliana Josué

 

publicado por cantaresdoespirito às 22:06

Abril 06 2010

É olhar o sol nascente e abrir-lhe os braços,

É sorrir na calma noite para mil constelações,

Viver as mágoas, as desditas e os cansaços

Dos mais infelizes povos, ao longo de gerações...

 

É dar carinho e amizade a muitas gentes,

Ser simples, autêntico, generoso e profundo,

Amar as pessoas dos mais diversos continentes,

Semear harmonia p'los quatro cantos do Mundo!

 

É estender por terra e mar afectivos laços,

E, mesmo com a alma desfeita em mil pedaços,

Dar uso à pena em mensagens de esperança!

 

É constatar quão importante é o sentimento,

Que todo o poder, em determinado momento,

Vale muito menos que um sorriso de criança!

 

Arruda dos Vinhos

JOÃO FRANCISCO DA SILVA

in (A Nossa Antologia/APP XII Volume)

publicado por virginiabranco às 19:40

Abril 06 2010

Soneto sobre o tema "Em Setembro há Romaria)

 

 

Agora que "Em Setembro há Romaria",

Longe das vastas águas inconstantes,

Os nautas agradecem os instantes,

Em que Jesus deteve a maresia.

 

E clamam, com fervor, de noite e dia,

Ao Bom Senhor Jesus dos Navegantes

Que dê bom mar e sorte aos mareantes

E milagres de farta pescaria.

 

E quando o Senhor passa em seu andor,

Alva Aurora Divina que reluz,

Com fé se benze e reza o pescador.

 

E canta em Coro d'Anjos que traduz,

Perante o Maior Mestre e Protector,

A Graça que da terra ao Céu conduz.

 

1º Prémio, Jogos Forais da Cidade de Ílhavo, 1998

 

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos) 

publicado por virginiabranco às 19:17

Abril 06 2010

Apresta esse teu barco, ó pescador!

E lança a longa rede com destreza

E navega co'a força da certeza

De ter sorte no mar, em teu labor.

 

Melhor tempo há-de vir após a dor

De nada ter exposto sobre a mesa

Porque o mar tem tesouros, tem riqueza

Que deves descobrir com destemor.

 

Mata a fome que mata neste mundo

Quando criado foi p'ra toda a gente

Com fartura na terra e mar fecundo.

 

Recolhe a rede cheia e, pertinente,

Avança, mais além, no mar profundo

Porque mais funda é a fome que se sente.

 

 

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos)

publicado por virginiabranco às 19:08

Abril 06 2010

Parti, querendo ficar,

Em sonho de amor sem fim

Mas parti, sofrendo, assim,

Neste meu deambular:

De partir, só de lugar,

Nunca de ti ou de mim.

 

O mar é: saudade em volta

Do meu estro, nostalgia,

No vaivém da maresia

Que adormece e se revolta

Que minha alma prende e solta;

Terna e dura companhia.

 

Ilhéu, no lago da ilha,

Pouca terra, vasto mar,

Parti-me mas vou voltar:

Beijar a luz que cintila;

Beber o mel que destila;

Em teu corpo naufragar.

 

Menção Honrosa, Soc. Recreativa Artística Farense, em 1995

 

GABRIEL GONÇALVES

in (Escultor de Sonhos)

 

 

publicado por virginiabranco às 18:54

Abril 06 2010

Na valsa da vida absorvo as cores das flores,

das estrelícias, das rosas, das orquídeas.

Misturo-as nos sentimentos que trago

e tento reencontrar as cores do sorriso.

Junto o canto dos pássaros nas minhas mãos

e componho a melodia do meu silêncio.

Danço com o sol por cima de um manto de neve

e afundo-me em sonhos guardados em blocos de gelo.

Vejo-te num deles... com o amor que trago no olhar

o gelo derrete e tu vens até mim.

Sussurras-me as cores do desejo.

Entregas-me a melodia da nossa loucura...na minha mão.

Percorro o meu corpo em palavras quentes.

Entrego-te o calor da minha voz.

E sempre que a memória me traz os teus lábios...beijo-te.

 

 

VANDA PAZ

in (Brisas do Mar)

publicado por virginiabranco às 18:24
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Abril 06 2010

Segue o caminho da noite,

não pares.

Não esperes palavras minhas,

segue e vive.

Procura sorrisos,

corpos

que te encantem…

Caminha pelo dia

sem mim.

Preenche os teus pensamentos

com o calor do Sol,

ocupa os teus olhos

com as cores

que encontras…

Não esperes mais por mim,

se quiseres o meu olhar

procura no céu,

estarei lá a brilhar

para ti…

Se quiseres o meu corpo

entra no mar

sentirás a força do meu abraçar.

Mas,

não esperes mais por mim.

Calarei o meu amor por ti,

guardarei os meus sentimentos

como jóias antigas,

recordações

que não conseguimos largar.

Ficarão num guarda-jóias,

a chave será enterrada

naquela praia

que não nos esquece…

Sabes que te quero

e é por isso

que te peço.

Não esperes mais por mim.                                        

publicado por milualves às 18:16
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Abril 06 2010

Escuta

o meu silêncio,

o meu estar,

o meu calar.

Escuta

a voz em eco

que grita muda

o que não pode

falar.

Escuta

a noite escura,

a nuvem que passa

o sol que perdura.

Escuta

o calor da minha mão,

o bater

do meu coração.

 

Escuta

em silêncio.

O que sinto por ti.

 

 

VANDA PAZ

in ( Brisas do Mar)

 

publicado por virginiabranco às 18:15
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Abril 06 2010

                                          Hoje é o dia da poesia

                                          Já dita

                                         Ou ainda por dizer

                                          Dia dos poetas

                                          Que vagueiam no tempo

                                          Ao encontro do pensamento

                                          Do poema final

                                          Dia dos poemas

                                          Escritos

                                         Ou ainda por escrever

                                          Nas páginas duma vida

                                          Vida do poeta

                                          Que vive na poesia                           

                                          Que guarda no peito

                                          Numa agonia constante

                                          Poesia que lhe escorre das mãos                                         

                                          E livremente repousa

                                          Num papel qualquer

 

 

 

                                          Helena Paz

 

                                    

publicado por milualves às 17:34

Abril 06 2010

Passeias pela rua

com destino

casual.

Camisola pelo umbigo

e olhar

sensual.

Trazes a força

de uma vida

sem a escolha

apetecida

de um amor

sempre igual.

 

Dão-te a mão,

levam-te o corpo,

numa noite

de fugida.

Finges que tens

o conforto

de uma cama aquecida.

 

Tuas lágrimas

já secaram.

Tua boca

já não grita.

Mas segues o sonho

e dás-te por completo

como quem ainda acredita.

 

 

VANDA PAZ

in (Brisas do Mar)

publicado por virginiabranco às 17:29
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Abril 06 2010

Não morreste, meu amor,

Nem morrerás, podes crer

Enquanto dentro de mim

O teu espírito viver.

 

Não morreste, meu amor,

Enquanto eu sonhar contigo

E em espírito me disseres,

Coisas lindas que eu não digo.

 

Não morreste, meu amor,

Enquanto a recordação

Desses sonhos que eram nossos

Viver no meu coração.

 

Só morrerás, meu amor,

Quando Deus me chamar, e depois

Todo o mundo poderá dizer,

Que nesse dia morremos os dois.

 

 

MARIA FERNANDA PRETO PAULO

in (Os Meus Poemas)

 

publicado por virginiabranco às 17:08

Abril 06 2010

Para onde quer que eu vá tu me acompanhas

Como amiga fiel e dedicada,

E sinto em mim a sensação estranha,

Que és tudo, e o resto quase nada.

 

Mesmo que à minha volta haja alegria

E eu busque em vão alguma felicidade,

Sempre tu vens, insidiosa e fria

Arrastando comigo esta saudade.

 

Saudade do que fui e já não sou.

Saudade do que amei e já não amo.

Saudade do que a vida me levou,

Como o mundo é um grande desengano!

 

Mas eu quero quebrar estas amarras.

E não ser mais por ti tão perseguida

Tentar curar da minha alma as chagas

E erguer de novo um cântico à vida.

 

Então, tu vens, de novo, de mansinho,

E com um olhar escarninho e profundo

Dizes-me: Louca, eu sou o teu caminho,

Já nada mais te resta neste mundo.

 

 

MARIA FERNANDA PRETO PAULO

in (Os Meus Poemas)

 

publicado por virginiabranco às 16:49

Abril 06 2010
Com precisão de esmo

a brisa morna
abranda luz da madrugada

num doce mar amargo…
Omito as rajadas de tédio

numa envolvente vertigem…
Na imprudência solitária do jardim

o rabisco de nuvem

fede sentenças

num perfume que calcina as almas.

O vento sopra rubi
a assimétrica nevasca borrasca que no tempo navega…

Vendo às trevas

o dia do quintal das infâncias.
Lavro a ironia

e procuro um sorriso nas gavetas de quimeras…

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 10:14
editado por appoetas em 30/04/2010 às 23:56
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Abril 06 2010
                                                          À minha afilhada

 

Sem pedir licença

a dualidade incandescente da memória
permite que as nuvens chorem pela alvorada

na semântica contundente do progenitor

que cede ao exílio voluntário
da areia bronzeada…
Nua e pobre a tarde de estio…

A formosura do silêncio

ofusca o subtil silvo do bosque

numa gargalhada cristalina…
A vida prima pelo moer até à extrema alvura…

A alma escurece…
O sol poente deixa-se embalar por uns braços de oiro…
A flor em botão só permite palavras soluçantes

duma água tagarela…

Só permite cultivar, no céu, a esperança do sonho
num arco-íris sem rima nem engenho…
Mas tu

és a fragrância das flores que exalam maresia

quando finda a ceifa…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 10:12
editado por appoetas em 30/04/2010 às 23:57
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Abril 06 2010

No étimo da memória

a reminiscência de sorrisos…

Declaro pobreza assumida na demência das mentes!

Traço traços, faço rabiscos, arrisco uns riscos paradoxos!
Finco os pés finos e fico

mirando o trote das árvores.

Visto-me de paisagem…
No alfobre,

nem botão nem flor seca…

Esqueci as cores da juventude

e a gravidez das estrelas…

As andorinhas engripadas não rumam para Sul!

Submirjo de beijos rubros de doçura

na cor travessa do sentimento!
Na agonia da ira do amor

quero a embriaguez de verdade!

Ordeno ao odor do crepúsculo coruscante, reluzente

a insânia insónia!

Estou tão perto de nada no dorso da calçada
presencio a canção das águas…

Afinal

só quero de volta a minha alma

e desenhar nostalgias desertas distraidamente excêntricas…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 10:11
editado por appoetas em 30/04/2010 às 23:58
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Abril 06 2010

Qual é o teu lobo interno?

O medo, o ódio, a ira?

Oh!

erva daninha incauta e viçosa

que viço o teu

neste muro de baluarte abandonado

abonado de abandono ao crescimento desmesurado

desmesura na falta de vida de um muro

muro hercúleo de pequenas pedras

sem fiel

sempre só fiel a si próprio

qual é o teu lobo interno?

Que sábia metamorfose

te fez perder o Norte?...

 

     Edite Gil

 (Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 10:09
editado por appoetas em 30/04/2010 às 23:58
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Abril 06 2010
Nesta amalgama de emoções

com que a vida nos brinda

os sonhos são ilusões

d’um sono que a noite finda

 

Vida é frieza e mentira

raiz de flor com abrolhos

é alegria, lágrima reflectida

na imensidão de uns olhos

 

Não rireis todos os risos

nem as lágrimas chorais

não vereis sois nem granizos

redes, remos ou demais

 

Mas a vida tão instável

mói-te… até seres maleável

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 10:05
editado por appoetas em 08/04/2010 às 09:11
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Abril 06 2010
Pisei um cesto de flores

numa veemência requintada

numa  qualquer artéria do pensamento

para perfumar a ideia

que assaltou de soslaio

as sementes da flor do sonho

um qualquer lugar sem Norte…

Quis pintar bonança num olhar ofegante…

E uma pujança ignóbil

desnuda a sobriedade

arrebata a esperança

e tece-lhes lautas exéquias…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 10:04
editado por appoetas em 08/04/2010 às 09:11
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Abril 06 2010
Lancei os dados

num jogo oco

e …

Há que

sem pudores verbais

nem formas eufemísticas

expor as insanidades.

Vive-se num mundo sem calor

sem estações nem apeadeiros

onde a jactância de ostentar sonhos,

e desabotoar fantasias,

se faz de braços cruzados,

e é estandarte e bandeira.

Terei perdido a noção do certo e do errado?

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 10:03
editado por appoetas em 08/04/2010 às 09:11
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Abril 06 2010
Seria mais fácil cobrir a nudez

para entrar num mundo

onde prevalece o labor do erro altruísta.

A vida sacode as raízes

e questiona o apego à terra…

Ah…

A incandescência da dualidade do ser…

Mas a extrema indigência

mantêm a cadência

de uma atroz demência

sem clemência.

E não se choram todas as lágrimas…

E não se cristalizam todos os risos…

Se ao menos se pudesse abandonar a ira da dor…

Se ao menos se pudesse tornar falha a acendalha da batalha…

A rudimentaridade está lá.

É intrínseca

devoradora

voraz

e não há banho de decência que lhe valha.

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 10:02
editado por appoetas em 08/04/2010 às 09:12
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Abril 06 2010
A vida mutilada

não tem o brilho sonhado

de veia aberta

em rosa descarada

inconsciente e viçosa.

Mirrou de uma forma pérfida

ante o flagelo da visão

do sonho a desgrenhar-se

tal impotência de onda

assassinada pelo mar

numa qualquer praia longínqua…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 10:01
editado por appoetas em 08/04/2010 às 09:12
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Abril 06 2010

Posterguei a esperança

e mirei-me com verdade!

Omiti a etiqueta,

as vírgulas e os parágrafos,

fitei meu âmago,

perscrutei meus velhos sonhos

cansados de tão sonhados

combalidos e amarfanhados…

Meus esboços e intentos

delongados pelo tempo,

pelo anseio do concreto,

minha impotência insanável,

meu viver eunuco,

eu mirei-me com verdade!

e posterguei a esperança…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 09:59
editado por appoetas em 08/04/2010 às 09:13
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Abril 06 2010

ler teus olhos

gravar meu nome em teu coração

ficar a ferros em teu intelecto

abandonar-me a teus caprichos

tombar da ara

amar-te suavemente

tal chilrear de rouxinol

ou com a intensa fúria

de famintos cães de caça…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 09:58
editado por appoetas em 08/04/2010 às 09:13
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Abril 06 2010

Sinto nos lábios

a palavra a embalar

o verbo a saltar

o verso que se agita.

Que grita.

Sem destino vai fugir

alguém o há-de ouvir

e talvez sentir…

E talvez entenda

o verso que é prenda

a si o prenda…

Talvez misantropo

talvez filantropo

e brinde com copo

de azul temperança

de verde esperança

de rubi ou de tinto

e eu

ab sinto…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 09:56

Abril 06 2010
Sem animosidades
afocinha-se na angústia
e cumpre-se o princípio do equilíbrio clássico
numa temática estéril e banal.
Os caminhos são agrestes e escarpados…
O vento debulha o jardim
e contribui para a poda…
Como um riacho que chora a sua melodia para a noite fora
expõe a nudez.
O Tempo
mantém oculto o florete na plumagem…
E não se consegue chorar todas as nossas lágrimas…
Utópico este mundo feito de papel reciclado…
Tenho saudades
do tempo em que me era permitido sonhar…
Tenho saudades
da minha ingenuidade
que me deixava sonhar sem barreiras ou precipícios…
Saudades de acordar na aurora com o coração alado…
De mergulhar o dedo no pote de mel…
Saudades
Saudades de ser criança…
 
      Edite Gil
(Registado no IGAC)
publicado por Edite Gil às 09:54

Abril 06 2010
Desce-se para a aldeia.
Esquece-se o nada do tom da sociedade.
Toca-nos a macieza agreste do ar puro.
Entre a sinceridade de um sorriso
no olhar das suas gentes
e o vergar com o fardo de uma vida grisalha
invade-nos um império de sentimentos…
Abandonamo-nos, e deixamo-nos embalar…
Deixamo-nos embriagar de vida…
Espraiamos o olhar no horizonte
onde o céu e a terra se beijam,
languidamente…
Ai o paladar das cores…
Ai o chilreio canoro dos grilos…
Bailarinos galarispos ao sabor da brisa,
onde o azul é mais celeste e o verde é mais casto,
onde o céu se deixa bordar
pela renda dos cumes das montanhas…
Onde o ribeiro acorda cantando, encantando,
brincando com pedras, beijando margens,
saciando a sede por onde passa
deixando-se inebriar
pelo sussurro de um carvalho
pelo bulício da sua folhagem…
Quem sente, entende
que Campo Benfeito não se entende, sente-se!
 
    Edite Gil
(Registado no IGAC)
publicado por Edite Gil às 09:52

Abril 06 2010
Desaparecem as palavras…
As nuvens negras ameaçando tempestades…
O sentimento alvo ou negro
naufraga lentamente…
E é gritante o pingar da madrugada…
Ensurdecedora, a névoa das palavras…
A chuva de frias lágrimas
ressuscita do nada
e fustiga velozmente as vidraças de uma janela, involuntária e una…
Não se consegue ser
a força inventada em cada ser
ainda que num leito de vontade…
O sonho vai ruindo loucamente…
Lentamente…
Num desafio destilante e intangível
ao cascalho da memória…
 
    Edite Gil
(Registado no IGAC)
publicado por Edite Gil às 09:50

Abril 06 2010

Não quero as nuvens negras

ameaçando tempestades!...

Eu quero ser o pássaro branco,

o pássaro leve que desliza

alegre na brisa que tamborila…

Quero acender uma estrela num chão de palavras…

Quero o som da chuva

imortalizado na delonga de um verso…

Eu quero o mar distraído,
e o odor do tempo suave,

e os restos de Atlântico nos olhos…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 09:48

Abril 06 2010

Alentejo envolvente

de bailarinas espigas

fortes, grossas e esbeltas

ruburizantes, ao sol de estio…

Por sãos caules ostentadas

bordando campos e horizontes

suando labor

inspirando esperança!...

Alentejo brando e bravo

de saber, sabor e temperança!...

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 09:46

Abril 06 2010

Quem és tu?

Quem és tu, pretenso sábio, para me julgares?

Tu, de alma amargurada, que destilas indiferença e dor,

dor que não mata, mas magoa, desfigura e fere.

Respiras raiva, ódio, dor, despeito e agonia

e absorto, embrenhas-te a gastar tua vida

que já não sei se presta…

Fermentas a dor e amplias a tua solidão,

nessa agonia imensurável e tão nefasta.

Talvez por temeres que caia teu pano…

Talvez por temeres ver-te por outros olhos…

Talvez por sentires…

Não! Porque tu não sentes…

A tua alma exasperada arrasta-se pala vida

nesse teu destino inconfundível e bizarro.

Aras insensibilidades cortantes e infinitas.

Derretes o teu tempo agonizante

numa inebriante orgia dos sentidos,

numa qualquer noite vazia de calor e de luar

perfumada pelo cheiro macilento da borrasca infernal.

Transpira em teus poros o tempo agonizante

onde te perdes, em palavras, até mais não…

Aparências…

Talvez o pássaro branco seja a máscara da insensatez…

Afasta de mim o mal querer!

Afasta de mim a alma amargurada!

Afasta de mim a dor que desfigura e fere!

Afasta de mim a agonia nefasta!

Afasta de mim! Tudo o que esconda

afasta de mim…

Eu…

Quero apenas embriagar-me de vida e de saber,

quero apenas ver a borboleta que esvoaça meneante

voando como pena solta

na brisa doce que me envolve ao pôr do sol…

No fim de tudo, o que resta além de nada?

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 09:45

Abril 06 2010

Eu quero ser um pato bravo e voar para sul!

Não consigo vislumbrar um germinar

ainda que de hera…

As lágrimas que brotam dos olhos

perturbam a visão…

Há lágrimas que vagarosamente britam o rosto

e se aninham nas rugas feitas socalcos do tempo…

Assiste-se ao êxodo da sensatez

que ruma na direcção do vento,

que marcha à luz crua da lua,

e de um sol fanfarrão,

exibindo o pavonear de mãos cheias de nada,

na esmerada perfeição dos olhos eternos de uma escultura,

num exército a passo de ganso…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 09:42

Abril 06 2010

Abandonai a noite medonha e feia

estimada como preciosidade!

Que não medrem mais as faíscas gélidas

que aplaquem o desespero das almas famintas de luz

que cesse, na alma, a chuva estupidamente persistente

parecendo não abandonar o céu!

Deixai a pomba branca

partir rumo ao pôr-do-sol

onde um brilho de alegria, bailarino perfeito,

começa a florir

nos conquista e encanta

e proporciona um espantoso cenário…

Olhai a vida

como um navio de luz resplandecente

a rasgar as águas deste rio doirado…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 09:41

Abril 06 2010

Apartai as pálpebras.

Descerrai o véu.

Olhai,

o vento gélido a chicotear as árvores

que se manifestam

num balido amedrontado,

num bramido pasmado.

Urge um rebelar contra as rosas de amianto,

urge, o não olvidar uma vida de nada,

urge o não pasmar

ante cristais de gelo penetrantes,

urge uma surpresa lúcida,

urge,

urge,

urge…

Baptizai a vida com um baptismo de primavera

mas não adormeceis

num arsenal de flores…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 09:39

Abril 06 2010

A vida dorme na sarjeta, contemplando a solidão!...

A solidão no seu silêncio gritante,

num desabafo urbano…

A cidade grita!...

À força da raiva e da vontade

procuro respostas em forma de palavras,

tal é o compromisso com o alfabeto…

E elas surgem,

hesitantes com o peso da culpa…

Quero esquecer a cidade!...

Quero o Alentejo casto, tranquilo e sonhador,

ébrio de sol…

A maciez pincelada de crepúsculo…

O azul é maior e a noite dissipa-se,

o verde é mais verde…

As cores acordam

tal xaile de retalhos com as cores do arco-íris

toando um cântico de sol…

Preciso dessa luz que rasga e dilacera a solidão…

O meu ninho de sonhos

repousa nos braços de uma azinheira…

E se eu fosse ver, comigo, o sol nascer,

espreguiçando o rutilante imaginado…

Os planos brilhantes sucedem-se

entre espigas de silêncio, cruzando o espaço…

E sinto que se prolongam

as palavras de ternura da madrugada

na harmonia do bulício da folhagem ao ritmo do vento…

Sussurra o orvalho

tal prelúdio de um beijo…

E no irrequieto acordar do ribeiro

miro o meu rosto que dança,

reflectido na água…

Quero desenhar em meus olhos

a azáfama sonolenta do orvalho de aurora

na heróica planície

onde toco as nuvens e sinto a paz

que me transporta de mansinho

em pétalas soltas de poesia…

E vou além do infinito…

Infinitamente sedutora

e com lânguidos e alvos risos murmurantes

com beijos húmidos de espuma

retiro a poesia de um bolso

e imortalizo um império de sonhos…

Descasco as palavras e saboreio-as…

seu sabor

é o timbre de canoras carícias…

E prendo o olhar no horizonte

que emana do céu azul celeste!

Mas regresso ao vento que, ao soprar, me murmura destroços…

À cidade que grita!

Porque a maré,

Acaba sempre por voltar…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 09:38

Abril 06 2010

Conduz-me pela música

com teus movimentos de linguagem poética

gestos que seduzem

e despem a alma

envolve-me em acordes de ternura

hipnotiza-me com tua pele que exala sensualidade

tua mão aberta sobre as minhas costas desnudas

embota-me

quando me desenha a linha

dança comigo a sinfonia da ternura…

lábios procuram o pescoço

uma voz quente cicia ao ouvido

ensandeço…

suspiros…

carícias…

o beijo em silêncio…

dança comigo

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 09:36

Abril 06 2010

degustar o sabor macio

suaves roucos miados

denúncia da volúpia

em carícias lentas e meigas

a mão que repousa no rosto

levemente

suavemente

orgia no braço que num abraço prende o corpo

gesto firme e suave

abrasiva entrega

sem espaço nem tempo

cósmico incenso

do aroma de canela e café

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 09:34

Abril 06 2010

 

JOAQUIM EVÓNIO, ASSOCIADO DA APP, QUASE SEMPRE PRESENTE NOS NOSSOS EVENTOS EM LISBOA, HOMEM DE GRANDE CULTURA E COM EXCELENTE PODER DE COMUNICAÇÃO, VAI TRANSFORMAR ESTE ENCONTRO NO PALÁCIO GALVEIAS EM ALGO VERDADEIRAMENTE MEMORÁVEL.

UM ABRAÇO

MARIA IVONE VAIRINHO

 

 

publicado por appoetas às 03:16

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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